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“NÃO MATARÁS”

ago 24, 2014 | Editorial da Semana

“Não matarás” é o sexto mandamento. Ele faz parte da segunda tábua. A primeira, a dos quatro primeiros mandamentos, trata do nosso relacionamento com Deus; é vertical. A segunda tábua, a dos seis últimos mandamentos, trata do nosso relacionamento com o nosso próximo; é horizontal. Especialmente à luz dessa última, fica claro que Deus deseja que os nossos relacionamentos interpessoais sejam saudáveis. Para que isso seja uma realidade em nossas vidas, sugiro que consideremos o mandamento “não matarás” a partir de três montes.

O primeiro é o Monte Sinai. No Monte Sinai, Deus diz a Moisés: “Não matarás” (Êx 20.13). Como a palavra hebraica traduzida por “matarás” é rara e indica “o assassinato violento de um inimigo pessoal”, uma tradução viável para esse texto é “não assassinarás”. Logo, do ponto de vista social, Deus está dizendo: “Não construirás uma sociedade que mata”; e do ponto de vista pessoal, ele está afirmando: “Não assassinarás, não agirás movido pelo ódio, não farás justiça com suas próprias mãos”.

O segundo é o Monte da Galileia. Num Monte da Galileia, Jesus diz aos seus discípulos: “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu digo a vocês que qualquer que se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá [Oco ou Tolo]’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno”(Mt 5.21-22).

Ao que parece, Jesus está reinterpretando o sexto mandamento para os seus discípulos. Os religiosos restringem a aplicação do “não matarás”. Para eles, matar é assassinar. Mas Jesus amplia a aplicação do “não matarás”. Segundo ele, matar é abrigar no co­ração a ira contra o próximo; é dizer palavras ofensivas ao próximo. Assim, vez por outra, todos nós somos assassinos. Mais do que ampliar a aplicação do “não matarás”, Jesus está apresentando aos seus discípulos uma direção para aqueles que, vez por outra, são assassinos.

Ele o faz através de duas ilustrações. A primeira ilus­tração é de uma pessoa que está no templo. Antes de adorar a Deus, essa pessoa precisa reconciliar-se com seu irmão. A segunda ilustração é de uma pessoa que está a caminho do tribunal. Antes de defen­der-se diante do juiz, essa pessoa precisa entrar em acordo com seu adversário. A pergunta que surge é a seguinte: O que Jesus está ensinando com essas duas ilustrações? Ele está ensinando que precisamos ser rápidos na resolução dos conflitos interpessoais.

O terceiro e último é o Monte da Concórdia. Nesse monte, nós nos reunimos como igreja para celebrar. Hoje, no Monte da Concórdia, a Palavra de Deus nos diz: “Não matarás”. Nós poderíamos pensar nas macro questões: legítima defesa ou defesa da prole, pena de morte, guerra, entre outros. Porém, sugiro que pensemos nas micro questões: nos nossos relacionamentos com os nossos familiares, com os irmãos da família da fé, com os nossos amigos, com os nossos colegas de trabalho, com as pessoas com as quais nós convivemos.

Em síntese, o sexto mandamento, tal como Jesus o interpretou, nos conclama a dois cuidados. O primeiro cuidado é com o nosso coração. Precisamos cuidar para não abrigar ira contra o próximo. Para tal, é necessário orar pedindo a Deus que torne-nos mansos. O segundo cuidado é com as nossas ações. Precisamos cuidar para não ofendermos o nosso próximo, o que pode acontecer por ação ou reação. Para tal, é necessário orar pedindo a Deus que dê-nos domínio próprio. Também precisamos cuidar para ser­mos rápidos na resolução dos nossos conflitos. Nesse caso, entender a dinâmica de todo conflito pode ser muito útil. Diante de uma ofensa há duas possíveis reações: vingança, que é fazer justiça com as nossas próprias mãos; ou perdão, que é estender ao ofensor a justiça que o Pai nos concedeu. Assim sen­do, o perdoado pelo Pai perdoa o seu próximo. Quem nós precisamos perdoar hoje? A palavra de Deus para nós hoje é: façam isso o mais rápido possível. Isso porque o oposto de “não matarás” é “perdoarás”.

Que Deus, por sua graça, nos ajude a perdoar! Isso porque, à medida que crescemos em perdão, matamos o assassino que habita em cada um de nós. Que assim seja entre nós!

Luiz Felipe Xavier

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