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PROCURAI A PAZ DA CIDADE

Muitas vezes os autores bíblicos usam a figura do peregrino e do forasteiro para referir-se ao cristão e à sua jornada na presente era (“aos eleitos que são forasteiros”; “portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação” e “como peregrinos e forasteiros que sois vos abstenhais das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” – 1 Pd 1.1; 1.17; 2.11). Somos cidadãos de outra pátria (Fp 3.20). A ideia por trás dessa imagem é que, enquanto aguardamos a volta de Cristo e a irrupção plena do seu glorioso reino, não permitíssemos a diluição da nossa identidade espiritual nem perdêssemos os princípios éticos ensinados pelo Senhor, assimilando costumes e valores estranhos ao reino de Deus, por assumir o mesmo estilo de vida que povos pagãos e idólatras têm, enquanto estamos de passagem entre eles.

Essa bela imagem, entretanto, sutil e gradual­mente – com a clara instrução de não incor­porar práticas incongruentes ao Deus revelado nas Escrituras – foi transformando-se em instrumento para justificar a alienação social. Assim, os cristãos em geral, infelizmente, mantêm-se alheios e distantes dos problemas e desafios que experimentam juntamente com seus vizinhos que ainda não são cristãos, como se aquelas situações não lhes dissessem respeito.

Jeremias, o profeta, viveu anos muito difíceis, assistindo à crise de fé dos judeus, enquanto aconteciam crimes, violência, morte e toda sorte de injustiça, inclusive manipulação religiosa, até o exílio de Judá. Para orientar o povo em meio às suas agruras, Jeremias profetizou sobre a restauração da nação depois de setenta anos de cativeiro e deu instruções para o tempo de intervalo até que a promessa de retorno para a terra prometida se cumprisse.

A agenda para aqueles que estavam em uma terra estranha, cheia de outros deuses e costumes pagãos, era, no mínimo, instigante. Os forasteiros, além de cultivar a esperança de retornar à sua pátria, deveriam trabalhar e orar pelo bem estar das cidades para as quais fossem levados, no interregno entre a sua deportação e futura restauração: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz” (Jr 29.7). Jeremias não propõe nenhum tipo de ação revolucionária ou subversiva em termos políticos ou militares, mas conclama aqueles que são tementes a Deus, durante o tempo da sua peregrinação, a não perderem a sua identidade (reconhecer a soberania divina, aceitar a disciplina, orar e buscar o shalom — paz) e, ao invés de ter uma postura passiva, de desdém pelo que acontece na sociedade ou de mero espectador, torna­rem-se protagonistas da história, abençoando as comunidades nas quais foram inseridos.

A postura do cristão na sociedade, ou a ética social cristã, é nutrida e robustecida pelo modelo proposto por Jeremias. Em vez de ser assimilado culturalmente, repetindo e reproduzindo os costumes e práticas vigentes na sociedade, o cidadão do reino ora e trabalha pela prosperidade e desenvolvimento das cidades nas quais foi soberanamente inserido por Deus, para ser sal (inibir o mal) e luz (propagar a verdade). Não se advoga nenhum tipo de alienação ou modo de sabotagem. O servo de Deus sempre milita pelo bem e pela paz das pessoas e da sociedade à sua volta, com contribuições significativas e posturas corretas e justas, apesar das diferenças teológicas ou ideologias políticas.

Cooperar com o bem-estar da cidade não é abandonar o sonho e a bendita esperança de habitar a cidade que desce do céu, onde habita a justiça. A esperança de futura libertação não pode servir para entorpecer nossos sentidos e atuação promotora do bem, onde quer que estejamos (condomínio, rua, bairro, empresa, negócios, governo). Ou seja, não devemos aceitar o estilo mundano de viver autocentrados, buscando apenas o nosso bem. Antes, pelo contrário, somos chamados a orar e procurar o bem coletivo. E esse tipo de postura poderá, inclusive, servir de plataforma legítima para testemunho aos povos por onde peregrinamos.

Christian Gillis

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