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O CULTO E SEUS PRINCÍPIOS

fev 2, 2014   //   by marco   //   Editorial da Semana  //  No Comments

A palavra “culto” deriva do Latim, cultu, e significa adoração ou homenagem a Deus. Etimologicamente, o termo latino cultu envolve a raiz colo, colere, que indica “honrar”, “cultivar”, etc. Classicamente, os reformados definiram “religião” como “a maneira correta de honrar a Deus”.

Os principais termos que descrevem o ato/atitude de “culto” são “inclinar-se, prostrar-se”, como, por exemplo: “E acontecerá que desde uma lua nova até a outra, e desde um sábado até o outro, virá toda a carne a adorar [lit. “prostrar”] perante mim, diz o Senhor” (Is 66.22). Outra palavra indica originalmente “abaixar-se para beijar”, vindo a indicar “prostrar-se para adorar”, “reverenciar”, “homenagear”, etc.  O exemplo clássico sai da boca de Jesus: “Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24).

Há ainda dois importantes termos que expressam ideias de culto. O primeiro é “servir”, “trabalhar”. Por exemplo, Yaweh diz a Moisés: “Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado do Egito o meu povo, servireis  a Deus neste monte” (Êx 3.12). A segunda palavra é “latreia”(servir), como visto no diálogo de Cristo com o Diabo: “Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). É interessante notar que Rm 12.1-2 utiliza este termo para descrever a entrega do corpo a Deus como “culto racional”.

O que se pode concluir deste rápido estudo etimológico? “Cultuar” envolve tanto a homenagem ou reverência a Deus, quanto o serviço à sua Pessoa!

Para melhor elucidar, é de bom siso verificar-se “como Deus não deve ser cultuado”, antes de tentar-se estabelecer “como Deus deve ser cultuado”.

Deus, por meio dos seus profetas, rejeita o formalis­mo. Em relação à atividade cúltica, o termo formalismo pode ser definido como culto exterior divorciado de conteúdo interior. Os profetas da Antiga Aliança atacaram duramente tal formalismo. Através da ênfase na “forma”, por exemplo, todas as regras externas eram fielmente observadas, enquanto que, concomitantemente, o suborno era cometido, o justo perseguido, o pobre rejeitado (Am 5.2); …e ainda, o roubo era praticado, o crime perpetrado, o órfão e a viúva ignorados (Is 1.21-23). Noutras palavras, as belas ordenanças e festas comandadas pela Lei eram mantidas em meio a um caudal de impiedade e hipocrisia (Is1.10-16). Jesus, de igual modo, censurou o culto hipócrita: tanto a esmola como a oração não deveriam chamar a atenção (Mt 6.2-5). A estrita observação da forma – como no caso dos escribas e fariseus – era um contrassenso quando a piedade pessoal era descartada (Mt 23.1-33).

Há uma grande diferença entre o culto no Antigo versus no Novo Testamento. Enquanto que naquela Aliança havia um rico manual de procedimentos cúlticos, nesta há apenas parcos e gerais princípios de adoração. “A religião do judeu era repleta de tipos, símbolos e figuras; a religião de Cristo contém apenas dois símbolos: o Batismo e a Ceia do Senhor. A religião do judeu alcançava o ado­rador principalmente por meio dos olhos; a religião do Novo Testamento apela diretamente ao coração e à consciência… Os judeus podiam abrir os escritos de Moisés e achar rapidamente os itens de sua adoração; os cristãos podem apenas indicar alguns textos e passagens isolados que devem ser aplicados a cada igreja, de acordo com as circunstâncias”.

O NT ensina, em termos gerais, que o culto deve ser expressão de amor a Deus, de gente que reconhece a Sua autoridade. Participação plural, inteligibilidade, reverência e edificação são outros aspectos considerados (ICo 14).

O próprio Cristo nos ensinou que Deus deseja culto “em espírito e em verdade” (Jo 4.23-24). Essa dupla pauta envolve nosso interior (coração puro e sem fingimento), e o exterior também.

Consequentemente, há necessidade de buscarmos a verdade dos fatos concernente a Deus, revelados em Sua Palavra. Devemos rejeitar modismos, confirmando, assim, a presença do Senhor em nossos cultos.
O sincretismo, a mistura religiosa, falta com a verdade! No Antigo Testamento o povo hesita no serviço ao Senhor e a outros deuses. Isso é assim nos tempos de Josué (Js 24.14-19), passando pelos juízes e culminando na repreensão pública de Elias aos israelitas (1Rs 18.21) e posterior derrota dos profetas de Baal (1Rs 18.36-40). Jesus, de igual modo, condena o sincretismo alegando ser impossível servir a Deus e a Mamon (Mt 6.24). Paulo combateu ferozmente o sincretismo judaizante que misturava o evangelho com elementos legais (Gl 3.1-14). Nossa postura não pode ser diferente! Precisamos adorar com coração inteiro.

Como conforto e garantia de vitória, temos as palavras do Mestre que nos assegurou sua presença onde estivessem dois ou três reunidos em seu nome (Mt 18.20); nos assegurou sua presença no estabelecimento da nova aliança e comunhão de seu corpo e sangue (Mt 26.26-29); e, finalmente, nos assegurou sua presença “até a consumação do século” (Mt 28.20). Nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura, poderá nos separar da presença de Deus e de Cristo Jesus.

 

Resumido e Adaptado de: David Bowman Riker

Fonte: Revista Teologia Brasileira (23/06/13)

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