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MEU PRIMEIRO SALTO DE PARAQUEDAS

nov 10, 2013   //   by marco   //   Editorial da Semana  //  No Comments

Saltei de paraquedas dez vezes. Sempre tive esse sonho, desde criança, quando assistia aos saltos dos paraquedistas no Parque de Exposições de Montes Claros. Eu assistia aos saltos e dizia que, um dia, ainda faria aquilo.

O dia chegou uns 20 anos depois. Conheci uma trupe de paraquedistas, fiz o curso e, após a formatura, dei o primeiro salto. Era um salto “enganchado”, diziam. Você saltava do avião com uma fita presa ao paraquedas. Era essa fita que abria o paraquedas, mesmo que você nada fizesse. Até que abrisse, a queda durava 4 a 5 segundos.

E lá fui eu para o meu primeiro salto, a cerca de cinco mil pés, algo como 1,5 km de altura. Diminuída a rotação do motor, alguém abre a porta. Ouço o forte barulho do vento. Saio do avião e me dependuro no suporte da asa. Nessa posição, já não é mais possível desistir e voltar. Só tem um caminho, uma única opção: soltar as mãos e deixar o corpo cair. Foi o que fiz.

Hoje, refletindo sobre meu primeiro salto, tenho certeza que fiz aquilo de olhos fechados. Simplesmente saltei. Senti a agonia do vazio da queda e da aceleração do meu corpo no espaço. Até que, por causa tão somente da fita, o meu paraquedas abriu. Foi uma queda livre de uns cem metros, para terminar sustentado por aquelas cor­das e tecidos sobre minha cabeça.

Se tivesse que fazer alguma coisa, como abrir o paraquedas, tenho certeza de que teria morrido. Porque foi um salto de olhos fechados, totalmente entregue.

Eu havia feito o curso e tinha aprendido as lições para dar aquele salto. Mas naquele momento as lições não se mostraram suficientes, pois estavam apenas em minha mente. Mas, no salto, precisei soltar as mãos daquilo em que me agarrava.

Considero que essa experiência tem algumas semelhanças com o exercício da fé no Senhor Jesus Cristo. Primeiro, da percepção de uma realidade que transcende a experiência usual do dia a dia surge o desejo de vivenciar uma dimensão nova. O Evangelho nos deixa vislumbrar essa dimensão de vida maravilhosa, que enche o coração de santas expectativas, chamada de Reino de Deus. Segundo, depois do desejo e antes do exercício propriamente dito, é preciso muita informação para dar aquele passo especial de fé, confiando no Evangelho. Foi igual ao tempo de instrução. A fé é assim, nasce da informação acerca de Cristo e da sua mensagem. A fé vem por e do ouvir a Palavra de Cristo que vai aquecendo o coração. Terceiro, depois do vislumbre e da informação, vem a prática, o exercício da fé. Dar um salto, confiando que tudo haveria de funcionar conforme as instruções recebidas.

Jesus anunciou a presença do Reino de Deus, e ensinou como entramos nele. Não basta conhecer essas verdades, é preciso exercitá-las para experimentar o glorioso ambiente do Reino de Deus.

Você teria coragem de dar um salto de paraquedas assim como eu narrei? Teria medo? Você daria o salto ou recuaria? Você tem medo de entregar sua vida a Jesus?

Houve um homem assim na Bíblia. Nicodemos (Evangelho de João 3) foi um homem que percebeu que em Jesus havia algo especial e transcendente. Ele procurou a Jesus e ouviu as suas instruções. Mas, depois de hesitar, ele creu e confiou em Jesus, dando um salto, não no escuro, mas com fé na Palavra de Cristo, e por isso experimentou a realidade do novo nascimento.

Você pode saber mais sobre o Evangelho e o plano de Deus lendo a Bíblia. Infelizmente, para muitos de nós, queremos entender tudo, receber todas as explicações racionais, antes de dar o primeiro salto. Isso é um sintoma de que você ainda não se entregou a Cristo totalmente, não confia plenamente no Evangelho.

Jesus ensinou a Nicodemos o que ele devia fazer para entrar na esfera do Reino de Deus e salvar a sua vida. Quer entrar no reino? Quer fazer a vontade do Pai? Então não tenha medo. Dê o salto. Não pense que é loucura. Insano é deixar como está para ver como fica.

 

Claudio de Castro

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