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O CAMPO DE ABACAXIS

jun 9, 2013   //   by marco   //   Editorial da Semana  //  No Comments

Esta é uma história verídica. A história do campo de abacaxis aconteceu na Nova Guiné.

Ela durou sete anos. É uma ilustração profunda de um princípio bíblico básico aplicado. Ao ler este relato original, você descobrirá que ele é um exemplo clássico do tipo de lutas que cada um de nós enfrenta até que aprenda a aplicar o princípio de renúncia aos direitos pessoais.

“Minha família e eu trabalhamos com pessoas bem no meio da selva. Um dia, resolvi levar para aquela região alguns abacaxis. O povo já tinha ouvido falar de abacaxis. Alguns já os haviam provado, mas não tinham meios de consegui-los. Busquei, então, mais de cem mudas de uma outra missão. Contratei um homem da aldeia, e ele plantou todas as mudas. Precisei ter muita paciência até que as pequenas mudas de abacaxi se tornassem arbustos grandes e produzissem abacaxis. Demorou uns três anos.

Finalmente, no terceiro ano, pudemos ver surgir abacaxis que davam ‘água na boca’, e só estávamos esperando o Natal chegar porque é nesta época que eles ficam maduros. No dia de Natal, minha esposa e eu saímos ansiosos para ver se algum abacaxi já estava pronto para ser tirado do pé, mas tivemos uma surpresa: não conseguimos colher nem um só abacaxi. Os nativos haviam roubado todos! Eles os roubavam antes de ficarem maduros. É costume deles roubar antes que as frutas amadureçam e assim o dono não as possa colher.

E aqui estou eu, um missionário, ficando com raiva dessas pessoas. Missionários não devem ficar com raiva, vocês todos sabem disso, mas fiquei, e eu disse a eles: ‘Rapazes, eu esperei três anos por esses abacaxis. Não consegui colher um único deles. Agora outros estão amadurecendo. Se desaparecer mais um só, fecharei a minha clínica’.

Minha esposa dirigia a clínica. Ela dava gratuitamente todos os remédios àquela gente. Nós estávamos nos desgastando tentando ajudá-los, cuidando de seus doentes e salvando as vidas de suas crianças. Mas como eu era muito egoísta e queria comer abacaxis, fechei a clínica.  Vinham pessoas com gripe, tossindo e pedindo remédio e nós dizíamos: ‘Não! Lembrem-se que vocês roubaram nossos abacaxis’. ‘Não fui eu!’ – eles respondiam – ‘foram os outros que fizeram isso’. E continuaram tossindo e pedindo. Não conseguimos manter mais a nossa posição; reabrimos a clínica. E eles continuaram roubando nossos abacaxis.

Fiquei novamente louco de raiva e resolvi fechar o armazém. No armazém eles compravam fósforos, sal, anzóis, etc.  Antes eles não tinham essas coisas, por isso não iriam morrer sem elas. Comuniquei minha decisão: ‘Vou fechar o armazém, vocês roubaram mais abacaxis’.

Fechamos o armazém e eles começaram a resmungar: ‘Vamos nos mudar daqui porque não temos mais sal. Se não há mais armazém, não há vantagem para ficarmos aqui com esse homem. Podemos voltar para nossas casas na selva’. E se mudaram para a selva.

E ali estava eu, sentado, comendo abacaxis, mas sem pessoas na aldeia, sem ministério, sem condições de aprender a língua para traduzir a Bíblia.

Um dos nativos passou por ali, e eu lhe pedi para avisar que na segunda-feira abriria novamente o armazém. Pensei e pensei em como resolver o caso dos abacaxis… Meu Deus! Deve haver um jeito, o que posso fazer?

Chegou o tempo de minha licença e eu aproveitei para ir a um Curso Intensivo para Jovens. Lá ouvi que deve­ríamos entregar tudo a Deus. A Bíblia diz que se você der, você terá; se quiser guardar para si, perderá tudo. Dê todas as suas coisas a Deus e Ele zelará para que você tenha o suficiente.

Esse é um princípio básico. Pensei o seguinte:  ‘Amigo, você não tem nada a perder.  Vou entregar o caso dos abacaxis a Deus…’ Eu sabia que não era fácil fazer um sacrifício! Sacrificar significa entregar algo que você gosta muito, mas eu decidi dar a plantação de abacaxis a Deus e ver o que Ele faria. Assim, saí para a plantação, à noite, e orei: ‘Pai, o Senhor está vendo estes pés de abacaxis? Eu lutei muito para colher alguns. Discuti com os nativos, exigi meus direitos. Fiz tudo errado, estou compreendendo agora. Reconheço o meu erro, e quero entregar tudo ao Senhor. De agora em diante, se o Senhor quiser me deixar comer algum abacaxi eu aceito; caso contrário, tudo bem, não tem problema’. Assim, eu dei os abacaxis a Deus e os nativos continuaram roubando-os como de costume. Pensei com meus botões: ‘Deus não pôde controlá-los’. Então, um dia, eles vieram falar comigo: ‘Tu-uan (que significa estrangeiro) o senhor se tornou cristão, não é verdade?’ Eu estava pronto para dizer:  ‘Escute aqui, eu sou cristão já há vinte anos!’, mas, em vez disso, eu perguntei: ‘Por que vocês estão perguntando isso?’ ‘Porque o senhor não fica mais com raiva quando roubamos seus abacaxis’, eles responderam. Isso me abriu os olhos. Eu finalmente estava vivendo o que estivera pregando a eles. Eu lhes tinha dito que amassem uns aos outros, que fossem gentis, e sempre exigia os meus direitos e eles sabiam disso. Depois de algum tempo alguém perguntou: ‘Por que o senhor não fica mais com raiva?’ ‘Eu passei a plantação adiante’, respondi, ‘ela não pertence mais a mim, por isso vocês não estão mais roubando os meus abacaxis e eu não tenho motivos para ficar com raiva’. Um deles, arriscando, perguntou: ‘Para quem o senhor deu a plantação?’ Então eu disse: ‘Dei a plantação para Deus’.

Eles voltaram para a aldeia e disseram para todos: ‘Vocês sabem de quem estamos roubando os abacaxis? Tu-uam os deu a Deus’ e começaram a pensar sobre o assunto… E combinaram entre si: ‘Se os abacaxis são de Deus, agora não devemos mais roubá-los’. Eles tinham medo de Deus.

Os abacaxis novamente começaram a amadurecer. Os nativos vieram para me avisar: ‘Tu-uan, seus abacaxis estão maduros’. ‘Não são meus, eles pertencem a Deus’ – respondi. ‘É melhor o senhor comer, pois vão apodrecer’. Então colhi alguns, e deixei também para os nativos.

Quando me sentei à mesa com minha família para comê-los, eu orei: ‘Senhor, estamos comendo seus abacaxis, muito obrigado por me dar alguns’. Durante todos os anos em que estive com os nativos, eles estiveram me observando e prestando atenção às minhas palavras. Eles viam que as duas coisas não combinavam. E, quando eu comecei a mudar, eles também mudaram. Em pouco tempo, muitos se tornaram cristãos.

O princípio da entrega a Deus, estava funcionando realmente. Eu quase não acreditei… Mais tarde, passei a entregar outras coisas para Deus.”

Extraído e adaptado do livro “A Verdadeira Felicidade (Estudo Sobre as Bem-aventuranças)” – Jaime Kemp – Editora Sepal.

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