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VOTO: O PODER EM SUAS MÃOS

set 21, 2014   //   by marco   //   Editorial da Semana  //  No Comments

O povo brasileiro dá mostras de que anseia por qualidade dos políticos e do sistema político. Para aprimorar a organização política são necessárias mudanças nas leis – uma reforma política, que, porém, encontra resistências no Congresso. Mas, nas eleições, o cidadão tem o poder de escolher os representantes capazes de mudar as leis e a estrutura política.

É o voto que fará a diferença. Se, porém, cidadãos comprometidos com o bem derem de ombros às eleições, aquilo que é ruim pode ficar pior. Ainda que decepcionado com os políticos, o eleitor sábio aproveitará a ocasião democrática para escolher bons representantes para as funções de governo e legislativa.

As eleições possibilitam a escolha estratégica de deputados e senadores – já que são estes os que fazem as leis (= estruturas). Se algo está ruim, não é assim por natureza ou por acaso; alguém organizou as coisas para ser como são (os legisladores do passado). E, para mudar a legislação em vigor, alguém terá de eleger novos representantes, que cria­rão novas leis, para que a estrutura política funcio­ne de um modo novo. Presidentes e governadores administram segundo suas prioridades, mas dentro dos limites da estrutura legal.

A Bíblia alerta para a importância da questão política, ainda que a forma de organização política dos tempos bíblicos fosse diferente da atual. Há no universo um sistema legítimo de autoridade (às vezes usurpado por tiranos). Jesus e seus apóstolos o reconhecem como válido (não como absoluto) e ensinam a orar pelas autoridades e, em caso de ambições totalitárias, a resistir-lhes apropriadamente.

Pedro é claramente contra a alienação do cristão e ensina uma participação crítica no sistema político e Social (1Pe 2.11-17).  Segundo o apóstolo, o cristão deve sujeitar-se às instituições humanas (2.13)!  Sujeitar-se é “colocar-se sob”, para cooperar com a tarefa que alguém tem. Trata-se de submissão consciente e voluntária – “como livres que sois” (2.16) –, o que significa reconhecer e respeitar o ordenamento sociopolítico ao qual se está integrado.

As instituições consideradas são de natureza  política – rei e autoridades governamentais (2.13) –, econômica – sistema de produção e trabalho do seu tempo (2.18) – e social – a família (3.1). Todas estas passaram por transformações profundas ao longo dos tempos; há, contudo, princípios éticos equivalentes para situações contemporâneas análogas.

O motivo da sujeição às instituições humanas é por amor ao Senhor (2.13). A postura pública respeitosa não é por causa das instituições em si, mas a partir da relação pessoal com o próprio Senhor Jesus, aquele que está acima de todo poder. Por causa da lealdade a ele deve haver atitude adequada frente ao Estado.

A cooperação com as autoridades, entretanto, não desconsidera a realidade. Há que se discernir se os atos dos que ocupam as posições de autoridade promovem o bem, pois autoridades foram constituídas para promover o bem e reprimir o mal (2.14). Assim, o poder humano é relativo, e os governantes, bem como o próprio sistema político e as leis propostas, podem ser reavaliados e apri­morados, por meios legais.

Ha ordem explícita para abster-se de envolvimento com paixões carnais (2.11), mas a inserção social e política positiva é estimulada. Não existe restrição à vida em sociedade, ao voto, ao discernimento político, ao uso dos recursos democráticos nem ao dever de interferir no destino político e legal da sociedade.

O modo de participação na ordem política e social coerente com a fé e os valores cristãos é por meio de comportamento íntegro e da prática de boas obras. Os cristãos são designados para ser servos de Deus na sociedade, convocados a abençoar os demais cidadãos (até quem os hostiliza!), fazendo o bem na esfera pública (2.15).

Aproveite bem o seu voto. A inspiração que vem do céu é para buscar sempre o que é bom, por todos os meios disponíveis, inclusive pelo voto. A participação consciente é fundamental para reformar a política e construir uma sociedade justa, tendo em vista a coletividade, consolidando instituições humanas à luz dos valores do reino de Deus.

Christian Gillis

Fonte: Revista Ultimato, Ed. 350, págs. 54-55

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