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EM BUSCA DO PAI ETERNO

ago 10, 2014   //   by marco   //   Editorial da Semana  //  No Comments

Conheci, alguns anos atrás, um Senhor muito legal! Ele desde sempre tem empenhado todos os seus esforços para adotar as crianças de um determinado orfanato aqui da comunidade. Tudo o que ele faz é em função disso! Eu, por exemplo, vivi toda a minha infância e quase a adolescência inteira no orfanato. Quando ainda morava por lá, eu o via chegar de quando em quando para adotar mais uma criança. Dentro de mim, cultivava um sentimento de raiva e de aversão àquele homem. Sempre, quando ele aparecia no nosso meio, eu bradava a todos ouvidos:

“Esse homem diz que nos ama, mas isso é impossível. Ele só escolhe alguns! Na verdade, o direito de escolher se queremos viver com ele ou não deveria ser nosso e não dele! Ele ama todo mundo coisa nenhuma! Vá embora daqui e, por favor, nos deixe em paz!”

Essa foi a minha impressão, durante anos, daquele Senhor. Que pensamento mais ingênuo! Não existe a menor possibilidade, nem antecedentes, onde um órfão avaliou as circunstâncias envolvidas e então escolheu, dentre dois, o seu pai. A justiça maior não permite que assim seja. A escolha sempre foi de quem adota!

Passaram-se 16 anos e eu ainda era um dos órfãos. Até que no dia 30 de outubro, num dia bem frio, eu me encontrava na janela do salão, olhando as crianças que brincavam com seus familiares. Para minha surpresa, avistei o Senhor que adotava, vindo ao orfanato. Ele, como sempre, estava radiante. Quando me dei conta da sua proximidade, abri a janela e gritei com todas as minhas forças:

“Eu nunca quero ir com você! Você não me ama! Você escolheu alguns dos meninos e nos deixou aqui! Nunca vi amor que exclui! Mentiroso!”

Para o meu espanto, ele entrou na casa, passou no meio de todos os que estavam no salão e me abraçou! Eu desmontei! Parece que ele sabia que toda aquela minha raiva e rebeldia era sinal de que eu ansiava por amor, ansiava por um Pai! Na verdade tudo que eu precisava era Ele, mas eu não entendia isso! Ele, depois de um longo abraço, enxugou as minhas lágrimas e me disse:

“Vamos! Seus irmãos estão te esperando lá em casa, para celebrarmos, juntos, a sua chegada! Venha comigo, filho! A gente tem muito o que fazer pelo nosso povo! Eu sempre te amei! Agora vou caminhar junto com você, ensinar como amar e se dedicar ao seu próximo. Foi pra isso que eu adotei todos vocês!”

Eu, que sempre achei aquele Senhor um men­tiroso, sectarista, me rendi! Ele era a pessoa mais amorosa que eu já havia conhecido! Desde então, tenho aprendido a amar, perdoar e viver em prol da comunidade. Ele me mostrou que as coisas acontecem no tempo dele e de acordo com os planos dele! Ele ama o orfanato inteiro, ele sustenta o orfanato!

André Ribeiro

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