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MEMÓRIAS DA VIDA EM COMUNIDADE

mar 23, 2014   //   by marco   //   Editorial da Semana  //  No Comments

Celebrar os 25 anos de organização da Redê como igreja despertou em mim muitas boas lembranças, recordações da caminhada ministerial e comunitária e até mesmo provocou uma revisão de vida.

Participei, pela primeira vez, de um culto na Redê aos 12 de setembro de 1992. A igreja estava estudando a temática do discipulado (o livro “O Discípulo”, do pastor argentino Juan Carlos Ortiz, Editora Betânia). Logo após a pregação, os cerca de 40 presentes foram divididos em pequenos grupos para discutir 2 ou 3 perguntas. Gostei da dinâmica, do assunto e da simplicidade do ambiente.

Na verdade, o eixo do discipulado foi o fio condutor para meu envolvimento e permanência na Redê. Desde a minha conversão (1981), inclinei-me para a questão da formação espiritual dos seguidores de Cristo, pois notava certa superficialidade no compromisso cristão e desistências de alguns convertidos no movimento estudantil. Assim as leituras e as ideias em torno do discipulado sempre exerciam atração especial sobre mim. Foi assim também durante todo o período de formação ministerial, na Faculdade Teológica.

Já no exercício do pastorado (noutra igreja que havia ajudado a fundar e organizar), reunia-me com alguns colegas pastores, num pequeno círculo, para compartilhar algo das nossas histórias, orar e trocar perspectivas ministeriais. O Ivênio era um dos com­panheiros nesse grupo.

Depois de uma experiência inicial no ministério pastoral bastante frustrante (naquela outra igreja), cogitava deixar o pastorado. Foi então que o Ivênio convidou-me a conhecer e ajudar na Redê. Esta comunidade foi para mim uma verdadeira família espiritual, onde reencontrei não apenas o senso de acolhida pessoal, mas espaço para exercer e desenvolver dons ministeriais.

Preguei na Redê pela primeira vez, na semana seguinte, (19/09/1992), sobre Isaías 6, abordando a temática da natureza de um avivamento (percepção renovada de Deus, consciência do próprio pecado, discernimento do contexto sóciopolítico, sensibilidade ao chamado para a missão, culminando com a disposição de ir e servir a Deus). Olhando para trás, talvez este tenha sido o itinerário espiritual que eu mesmo percorri na Redê durante todos esses anos.

Em outubro de 1992, tivemos contato com irmãos ligados ao movimento de discipulado de Buenos Aires. Apesar das leituras e conversas que havíamos feito, não conseguíamos desenvolver a prática de discipulado. A experiência desses irmãos, então, clareou os processos para implantação de um projeto de discipulado efetivo. Com certeza nem tudo deu certo e adaptamos o projeto à nossa realidade, mas algo funcionou e fez diferença. Aprendemos que o chamado é para fazer discípulos e não convertidos!

Na Redê, então, aconteceu uma alquimia interessante. Soube depois que a igreja já procurava liderança que tivesse perfil e uma visão quanto ao discipulado, antes mesmo de convidar algum pastor. Observo, então, que Deus juntou (1) um grupo que desejava formação espiritual, com (2) pastores que refletiam e buscavam descobrir como implantar processos de discipulado na igreja e (3) gente que tinha alguma experiência prática nessa matéria. Claro, fizemos uma síntese de tudo isso retendo o que era bom e integrando com nossa história prévia.

Sem dúvida, foi a noção de discipulado, na perspectiva de formar cidadãos do Reino de Deus, que deu um tônus especial à Redê. Mas que seria desses preciosos métodos de mentoria espiritual sem a noção de Graça que capacita para a obediência? Uma carga pesada!

Em novembro de 1993, depois de um ano discutindo e avaliando a proposta de nos organizarmos em torno do discipulado e dos pequenos grupos, foi constituído pela igreja o Colegiado de Pastores. Descobríamos o valor da unidade e da permanência (compromisso de ficar e servir na igreja). Parece-me que todo esse processo deu segurança e estabilidade à comunidade. A Redê é uma comunidade que, como disse o Robson Guimarães, “está em paz!”.

Tempos depois, tínhamos crescido e os grupos estavam inchados. Ainda num paradigma pastorcêntrico tínhamos nossos grupos dirigidos apenas por pastores. Recebemos, então, conselho e instrução de outros pastores, estimulando a formação de novos líderes e a delegação da liderança para homens e mulheres idôneos. Foi um boom de multiplicação de grupos. Dos 3 originais, hoje são mais de 30 grupos. Claro que ainda falta aprimorar alguns aspectos do funcionamento do sistema de grupos, mas, olhando para trás, vemos como o Senhor, o Cabeça da Igreja, vai guiando a sua igreja sobre como funcionar. Por isso é que celebramos muito!

Nesses 22 anos aconteceram muitas outras coisas importantes na igreja e na vida pessoal. 1993 também foi o ano do casamento com a Juliana. Éramos tão jovens e o convívio com as famílias da igreja teve uma importância enorme para a nossa saúde conjugal. E aí vieram os filhotes, que foram consagrados a Deus nesta comunidade. Ver os meninos crescerem num ambiente comunitário saudável, onde os pais buscam juntos os valores do Reino de Deus para a família, é uma bênção! Ver os mais velhos batizados e participando da comunhão fraterna é motivo de alegria e satisfação.

É, tenho muita coisa para contar. Espero durante o ano rememorar mais alguns episódios que ressaltam valores que identificam a Redê.

Christian Gillis

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